Construindo a melhor versão de mim mesma

Um aviso de antemão: este post é de longe o mais pessoal escrito até agora, então se não quiser saber muito da minha história de vida, é melhor nem começar a rolar a página.

Quando somos crianças temos um punhado de sonhos que nem sempre vão persistir em nossos corações, especialmente quando descobrimos que nossas aptidões não são muito compatíveis com eles. 


A grande causadora das frustrações humanas, ao meu ver, é a vontade de ser exatamente como outra pessoa aparenta ser. Mas as aparências enganam, e muito. Por isso devemos buscar sermos apenas nós mesmos, mas não de maneira medíocre. Devemos fazer o melhor possível para nos tornarmos o melhor que estamos aptos a ser.

Aos 12 anos, eu me enxergava como uma menina de cabelo enroladinho, dentes tortos, que usava All Star, camisetas e calças largas, nerd ao extremo, que passava a tarde toda no Colégio estudando, fazendo aulas de vôlei, teatro, basquete e coral, mas  que pensava ser apenas uma garota invisível. A Dri de 2002 tinha acabado de descobrir suas primeiras desilusões, tinha uma autoestima baixa, ficava as noites escrevendo nos diários mais sobre a vida das amigas de seu "quinteto" do que sobre a própria vida, porque pensava que não havia nada de interessante sobre ela. Todavia, a Dri de 2002 cantava no coral da escola, e era a solista. A Dri de 2002 fazia teatro e seu papel possuía falas importantes para o desfecho da protagonista. A Dri de 2002 não era rápida na quadra de basquete, mas não errava uma bandeja porque ela treinava muito com a bola que trazia de casa. A Dri de 2002 recebia certificado Duc In Altum a cada fim de bimestre. A Dri de 2002 ganhou 2º lugar junto com a amiga na noite da música da escola (que envolvia alunos da 3ª série do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio) com uma letra escrita para suas amigas. E a Dri de 2002, por mais que não soubesse, era a MELHOR versão possível que ela poderia ser dela mesma. 

Hoje eu sei que ainda iria passar por fases muito, mas MUITO piores do que quando tinha 12 anos. Eu de fato fui invisível por muito tempo, mas não para o mundo. Eu fui invisível para mim. Deixei de fazer qualquer coisa que me tornasse mais confiante, deixei de cantar, de me preocupar com a roupa que eu iria usar (uma rasteirinha, uma bermuda e uma blusa bem fechada era o meu uniforme), deixei de arrumar o cabelo e usava sempre preso todo para trás, deixei de me admirar e permiti que outras pessoas também não me admirassem.

Sabe o que eu ganhei nessa época? 17 quilos que foram capazes de eliminar qualquer vestígio de determinação, coragem e amor próprio que eu ainda tinha. 

Conhecem aquela frase que todas as mães repetem aos filhos em crise "Calma! Vai passar!"? Sim, VAI PASSAR! Um dia eu acordei pra vida e rompi com a minha imagem triste no espelho! Fui no salão e pintei meu cabelo de ruivo LARANJA! E isso foi muito antes de pensar em emagrecer. Mas foi o passo mais certo e importante que eu dei na minha vida. Eu me tornei visível (afinal, um cabelo laranja jamais passaria despercebido rs.) e passei a gostar do ar de autoconfiança que ele transmitia. Logo em seguida cortei bem curtinho repicado, parecia uma pessoa cheia de personalidade. PARECIA, mas ainda não era.  

Aquela pessoa de cabelo laranja que refletia em todos os espelhos que eu passava começou a merecer minha atenção. E eu fui me soltando, me permitindo fazer absolutamente tudo o que eu nunca tinha feito por mim (exceto coisas ilícitas, porque apesar de tudo sou careta), especialmente porque era 2012 e eu acreditava na profecia dos Maias de que o mundo ia acabar em dezembro (só que não). E me tornei a Dri de 2012, bem mais consciente que a Dri de 2002, mais racional, mais decidida, que passou na OAB, que cantou na noite cultural do curso (vide foto do post), conheceu o atual namorado, terminou a faculdade, que entrou com toda a coragem no baile de formatura, que suspirou fundo quando pegou o diploma em mãos e descobriu que apesar de muito tempo de invisibilidade, ainda era capaz de ir muito longe e de ser a cada dia um pouco mais parecida com a melhor versão que eu poderia ser!


E o que eu quis dizer com esse blá blá blá todo? A única pessoa que você pode ser é você mesmo. Não adianta querer o sucesso financeiro, pessoal ou profissional de outra pessoa. No final das contas, mesmo que alcance exatamente o que o outro conquistou, ainda será você. 

E com essa reflexão confusa (mas que faz todo sentido) é que eu termino essa segunda-feira.

Até mais!


2 comentários:

  1. Vc é foda!! Apenas. Esse texto foi inspirador demais, Dri, espero que o blog decole e que mais pessoas aprendam com sua história. Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se uma pessoa conseguir tirar algo de bom daqui, já valeu a pena ter escrito, Bia! E não tenho nada de foda kkk. Beijos

      Excluir