Sobre o dia em que eu desisti

Hoje o dia amanheceu diferente. Eu abri os olhos, mas aquela vontade não veio. E eu não lutei contra ela. Eu desisti!

Desisti daquela vontade obsessiva em dormir mais cinco minutos, de vestir aquelas roupas que estavam no armário, de me conformar com minha carreira profissional nada espetacular. Desisti de ser apenas expectadora de uma vida blasé. Sou humana. Eu desisti!

Desisti daquela pessoa refletida no espelho que era tão comum e tão apática, dos tons pastel e da falta de canais da TV aberta. Desisti dos sapatos sem salto, do pastel encharcado e do relógio quebrado. 

Desisti da tristeza, da fraqueza e das incertezas. Desisti de não ser exatamente como desejo, de não fazer o curso que eu quero e de não subir no palco. Desisti de não ter força de vontade, de não ouvir os conselhos dos meus pais e de não fazer nada para ajudar alguém.

Desisti de deixar para amanhã ou semana que vem e de dar desculpas. Desisti de me colocar em segundo plano, de dizer que foi engano. Desisti de não ter o controle dos meus sonhos e de tentar agradar gregos e troianos. 

E quando as realizações se aproximarem e eu cogitar em fugir, vou respirar fundo, contar até três e me render: eu desisti!

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