E se eu tivesse que discursar?


Advertência: este texto contém fatos reais. Alguns são dirigidos a várias pessoas, outros remetem a pessoas específicas. Caso você se identifique com alguma das situações abaixo, saiba o quanto eu sou grata, por tudo!

Sabe aquele discurso que todos os vendedores de prêmios Nobel, Oscar, Grammy, etc. ensaiam por dias frente ao espelho, escrevem no papel que fica guardado no bolso e no momento em que o prêmio é anunciado finalmente podem apresentá-lo em público? Pois é, acho que do jeito que as coisas vão não vou ganhar um Grammy, nem um Oscar, quem dirá um prêmio Nobel, então acho que devo publicar aqui mesmo toda a minha gratidão sincera a muita gente, gente que sequer vai ler esse texto, mas o que vale é a intenção.

Primeiramente gostaria de agradecer pelos telefonemas diários no tempo da escola. Era muito bom ter alguém para além de discutir a tarefa, simplesmente conversar.

Agradecer por ter me presenteado com meu primeiro diário quando estávamos na pré-escola. Graças a ele eu aprendi a exprimir meus sentimentos e a encarar meus próprios medos.

Por ter me ensinado que é possível superar grandes perdas, mesmo quando essa perda acontece de maneira abrupta, e que amigos nunca morrem.

Por ter me contado aquele dia no bar que eu consegui te ensinar matemática, mesmo eu achando que ninguém prestava atenção na minha monitoria na véspera das provas.

Por ter preparado as melhores festinhas surpresa no meu aniversário dentro do colégio e por sempre ter feito companhia na volta para casa.

Por ter mostrado que o perdão é mais fácil quando nos colocamos à disposição para ajudar quem nos magoou e por ter tido sensibilidade de  escrever pequenos bilhetes na aula quando eu estava visivelmente abatida. Eu deveria ter aceitado melhor seus conselhos.

Por ter mostrado que por trás de uma garota durona existe um sorriso doce que depois de muitos  anos continua acolhedor e sincero, por ter mostrado que preconceitos precisam ser derrubados e que não existe nada mais gratificante do que se sentir confiável.

Por sem nunca ter me visto antes ter arrancado gargalhadas em um dos momentos mais tristes da minha vida.

Por ter mostrado que podemos mudar muito de opinião sobre alguém conhecendo melhor sua história e ouvindo menos sobre o que os outros falam.

Pelos montinhos no alojamento dos retiros e todos os abraços apertados mesmo depois de muitos anos sem nos ver.

Por ter compartilhado comigo suas dores mesmo anos depois sem nos encontramos pessoalmente, como se não nos falássemos há apenas cinco minutos.

Por ter provado que amigos podem surgir no curso de inglês e durar para a vida.

Por ter injetado autoestima e autoconfiança em alguém que se sentia invisível.

Por eu ter sido a primeira pessoa fora da sua família a saber que você seria mãe.

Pelas lembranças boas do D34, especialmente do sushi sagrado de toda semana.

Por ter provado que é possível fazer amizades depois de terminar a faculdade.

Pelo incentivo incessante aos meus projetos, combinado com uma pitada de humor com nossos cabelos engraçados do ensino médio.

Por ter me ensinado a respirar fundo e recuperar a razão.

Eu poderia nominar cada parágrafo desse texto, mas preferi deixar livre a carapuça para quem quiser vestir. E se a carapuça servir, um recado pra mim não vai doer, não é mesmo? 

Até o próximo post!

Dri.


Precisamos falar sobre a tristeza

Falar sobre felicidade é fácil. Ela está por todo o lado estampando as fotos do Instagram, enfeitando os comentários do Facebook, se exibindo nos vídeos dos Stories, sobrando no quintal do vizinho, esbanjando no sorriso daquela pessoa na fila do cinema e transbordando na mesa do bar. Por outro lado, falar sobre a tristeza é difícil, complicado, delicado, chato.

Sempre fui muito aberta quanto aos meus sentimentos. Sou a garota que desde os treze anos nunca escondeu de um garoto o que sentia e que aos dezesseis aconselhou o garoto que ela declaradamente gostava a pedir outra em namoro, mesmo que isso tenha me custado alguns dias de melancolia quando o nick dele foi aterado para fulanoS2beltrana no MSN. Assim como eu falava dos meus sentimentos "bons", também sempre deixei bem visíveis meus sentimentos "ruins".

Minha sobrancelha direita sempre revela quando discordo de algo, minha testa se tinge de vermelho em formato de furacão quando sinto raiva, minhas mãos tremem quando fico ansiosa. Todos acham engraçada a transparência desses sentimentos, mas quando o assunto é tristeza, não funciona da mesma forma.

"Estou triste" alguém diz. "Triste por quê? Você tem tudo, não pode reclamar. Vamos falar de coisa boa". "Já passa, é frescura sua", "isso é coisa de gente fraca", "você anda tão chata ultimamente".



Negligenciamos os sentimentos ruins, não temos complacência por ela, afinal, no mundo perfeito só tem espaço para felicidade.

Mas estar triste não é frescura. Afinal, quem nunca ficou triste por nada, precisa procurar auxílio psiquiátrico.  É a tristeza que nos permite viver a dor do luto, do coração partido, da perda do emprego, do projeto que não deu certo, do dia em que acordamos meio "sei lá". Precisamos deixar a tristeza chorar no nosso ombro. Precisamos fala sobre a depressão. Precisamos falar sobre a responsabilidade o mundo nos impõe de sermos felizes o tempo todo. Precisamos falar sobre tristeza ser genuinamente um sentimento como  outro qualquer e que merece o mesmo tipo de atenção.

Boa noite tristeza, em que posso te ajudar?
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Estava com saudades de escrever. Espero que tenham gostado do texto e não deixem de compartilhar com seus amigos e de dizer o que acharam nos comentários.



Ah, se precisarem coversar sobre algo que não esteja muito bem do lado daí, estou sempre pronta para ouvir, é só me mandar um recadinho! Mas se você estiver muito aflito e quiser conversar com alguém sem de identificar, o 141 está sempre pronto para te ouvir.

Até o próximo post.