O show tem que continuar




Há quase 19 anos eu parei por acaso numa aula de coral. Lembro-me perfeitamente das duas músicas ensaiadas naquele dia: "Laudate Pueri Dominum" e "Yapo". Nunca fui daquelas crianças que os pais  colocavam para fazer todas as modalidades dos sonhos "deles", então quando voltei para casa naquele dia, perguntei se eu poderia voltar na próxima aula. E minha mãe deixou, sem titubear. 

Eu tinha realmente me sentido maravilhosamente bem naquele dia, próxima ao piano do salão nobre do Colégio.

Logo na minha segunda semana fazendo parte do coral, a regente me chamou para fazer um teste bem rápido cantando sozinha. Alí ganhei meu primeiro solo em "Panis Angelicus". Depois vieram "Aquarela do Brasil", "O que é?o que é?", fora os incontáveis solos nas músicas das cantatas de Natal. Enquanto solista no coral, pela primeira vez experimentei a sensação de ser especial em alguma coisa, afinal no vôlei e no teatro eu não estava me saindo tão bem. 

Passaram-se anos no colégio, me apresentando em qualquer oportunidade, mesmo existindo outros alunos que se destacavam bem mais como "cantores" que eu, ensaiando com os amigos na banda "Caminhar", até parar completamente em 2007 por conta do vestibular. 

No ano seguinte entrei na universidade e achei que não ia mais ter a oportunidade cantar. Então abri um canal no YouTube naquele ano e comecei a postar meus covers gravados bem meia boca, sem ensaio, sem captação adequada, sem um bom playback no instrumental. Mas com isso dei a oportunidade para que as pessoas falassem o que pensavam sobre a minha voz. Os comentários mais recorrentes eram: "é  afinadinha, mas a voz é muito forçada", "precisa fazer aula de canto".  No fim da graduação, participei das noites culturais e toda vez que eu subia no palco, eu pensava "por que eu não cantei mais? Por que eu não fiz mais pelo que me faz tão bem? Por que eu ainda insisto em gravar meus vídeos se ninguém gosta?". 

Foram necessários alguns anos ouvindo o mesmo dilema mental até o momento que decidi voltar a estudar música a fazer aulas de canto.  Eu tinha muito medo de não conseguir evoluir, de ser só mais uma cantora amadora medíocre. E se eu continuasse recebendo comentários acerca da minha voz ser "forçada"?  

Hoje estou aqui, comemorando cada vez que alguém me para para falar sobre minha voz, feliz em ter evoluído, animada com cada apresentação, pensando na postura no palco, no figurino, na impostação da voz. 

Se tem uma lição bem aprendida ao longo dessa jornada de cantora anônima é que nunca é tarde para voltar e dar atenção aos nossos sonhos de criança, para fazer algo que sempre quis, mas faltou "coragem". E não tem problema algum se não tiver uma única pessoa na plateia. O importante é estar em cima do palco. Por isso é que eu canto, não posso parar.


Até o próximo post,

Dri.


Meu melhor presente

Almoçando um dia sozinha no Mc Donald's, acabei por lembrar que tenho esse blog.

Desculpe, estou um pouco atrasada, mas espero que ainda de tempo de dizer que andei cansada e sem empenho. 

Tem horas que decidir o que fazer da vida e como fazer a vida esgotam todas as energias e necessitamos nos reencontrar. Foi em busca desse reencontro que há alguns meses tive a experiência mais transformadora e ao mesmo tempo difícil de toda a minha vida.  Doeu, deu raiva, acalmou, me fez ter medo, me fez rir, me fez sorrir. Me deixou marcas extensas no corpo, mas me transformou (ainda que lentamente, momento após momento). 

Eu poderia vir aqui e contar detalhes de tudo o que vivi, mas esse tipo de experiência é tão singular, tão diferente entre as pessoas que eu estragaria tudo.

Só sei que eu continuo procrastinando, continuo deixando os sapatos fora da sapateira, deixando a louça se acumular na pia ao longo do dia. Continuo não sendo compreensiva o tempo todo e ainda acabo mexendo nas feridas dos outros.

Mas lembram-se quando escrevi aqui sobre a tristeza?  Ela está recebendo uma atenção especial nesse exato momento. E tudo bem, ela pode ficar o tempo que for necessário, mas somente o tempo que for necessário. Sou uma pessoa que precisa de espaço às vezes, então já providenciei uma vassoura atrás da porta para que ela vá embora quando terminar. 

Convidei o medo para uma reunião, decidi impor limites ao nosso relacionamento. Agora temos nossas proprias regras de convivência. Ele pode vir, mas não pode trocar a série na Netflix nem ter a chave de casa. 

A raiva tem sido minha companheira de treino. Nós encontramos às vezes e gastamos toda a nossa energia juntas. Daí ela vai embora e só nos encontramos na hora do treino mesmo, não somos necessariamente amigas, sabe?

A alegria vive me mandando mensagens no WhatsApp, sempre contando uma coisa corriqueira do dia dela, mas também me manda vídeos de bebês e animais fofinhos. Nem sempre eu tenho um vídeo legal para mandar de volta, mas ela é uma das poucas que eu não deixo no vácuo. Gosto dela, mas as vezes ela dá uma sumidinha.

2018 foi o ano em que eu mais vi as pessoas reclamarem da vida, das outras pessoas, do governo, do trabalho que têm, da falta de trabalho. Eu reclamei também. E muito. Mas chegando em dezembro e já traçando meu planejamento para o próximo ano, percebi que 2018 foi de longe o melhor que eu já vivi. E hoje é o melhor dia da minha vida. E essa é a melhor hora da minha vida. E esse é o melhor minuto da minha vida. 

Pra que esperar que 2019 te traga algo novo se você pode fazer algo novo agora? Já!  Now! 

Eu espero que você tenha o melhor agora da sua vida em todos "agora" que a vida te proporcionar.

E não tenha medo, no final, vai valer muito a pena!

Um beijo 
E até o próximo post.